A TAXA
BÁSICA, A RENDA, A POLÍTICA FISCAL E SEUS EFEITOS NAS ATIVIDADES, PIB (texto complementar
a outros já publicados).
a) Em um
processo gradualista o aumento da taxa básica abaixo da inflação percebida (ou
da taxa neutra) no primeiro momento (no processo de aumentos) tem como efeito
imediato o aumento das taxas de juros de mercado de curto prazo e poderá ter
como efeito a queda dos juros de mercado de longo prazo (a curva de juros
inicia um processo de queda na parte longa) se o BC conseguir passar
expectativas de queda da inflação (CONFIANÇA). Se o BC não conseguir passar Confiança
na Expectativa de queda da inflação os juros de longo prazo só cairão após, no
processo de aumentos da taxa básica, a percepção (expectativas) de queda da
inflação passarem a ser acreditadas (aí os juros de lp cairão);
b) a taxa
básica é a ferramenta mais potente para harmonizar (equilibrar) a oferta e a
demanda. Tem mais força para desacelerar as atividades e demanda (fazer a
demanda harmonizar com a oferta possível e sustentada) do que para aumentar a
oferta (fazer o PIB crescer com sustentação). A taxa básica é mais potente para
reduzir as atividades, fazer a economia rodar no ponto possível e adequado e
menos potente do que, sozinha, fazer as atividades aumentarem com sustentação.
Em um primeiro momento é possível, mas sem sustentação, provocando no momento a
seguir dificuldades muito maiores (piora a conjuntura);
c) a taxa
de juros é um instrumento (ferramenta) de harmonia entre a Liquidez (moeda e
ativos líquidos), a Oferta e a Demanda. O processo pode ser gradual ou tratamento
de choque;
d) INSTITUIÇÕES
CONFIÁVEIS melhoram as expectativas e reduzem as taxas de juros e motivam
investimentos. As relações harmoniosas do poder executivo, legislativo e
judiciário melhoram as expectativas e reduzem as taxas de juros. Uma mídia
fazendo campanha contra o governo reduz a confiança, piora as expectativas, aumenta
as taxas de juros e reduz investimentos;
e) FUNÇÕES
DE UM GOVERNO LIBERAL (resumo): e1 - Poder Legislativo, fazer leis, aprovar o
orçamento e fiscalizar sua execução; e2 - Poder Executivo, executar o
orçamento, obedecer e propor leis. Diretamente Forças Armadas e Polícia.
Indiretamente Agências de Controle, Saúde (parte diretamente), Educação (parte
diretamente), Obras; e3 - Poder Judiciário julgar.
A DIFERENÇA ENTRE OS
EFEITOS DA TAXA BÁSICA E DA POLÍTICA FISCAL NA LIQUIDEZ:
1) O
aumento da taxa básica reduz a liquidez de imediato retirando dinheiro do
mercado para o Banco Central (os agentes vendem dinheiro para o BC). O efeito
se dá pela redução imediata da liquidez a seguir nas atividades e na inflação;
2) O aumento
do superávit fiscal (ou redução do déficit) aumenta o dinheiro com o TN que
geralmente é utilizado para pagar parte da dívida pública aumentando a liquidez
com o mercado. O aumento da liquidez com o mercado aumenta a oferta de crédito,
pode reduzir as taxas de juros ou aumentar atividades e demanda (a demanda do
setor privado substitui a redução dos gastos do governo). Geralmente o mercado
percebe o aumento do superavit fiscal (ou redução de déficit) com melhoria da
confiança e das expectativas. Isto pode fazer a oferta subir para harmonizar
com a demanda e por efeito das expectativas positivas reverter o processo
inflacionário, mas é mais lento que os aumentos da taxa básica;
3) Considerando
que a Renda Nacional é a soma de: Renda do trabalho + Juros + Lucros + Aluguéis,
com a liquidez aumentando e os juros caindo a segurança com o futuro de parte
dos agentes cai (renda dos fundos de aposentadorias e das p poupanças pessoais)
e nos momentos iniciais os preços aos produtores (IGPs no atacado) aumentam (o
repasse aos preços aos consumidores acontece no segundo momento). A receita
tributária sobe acima dos IPCs melhorando o caixa do governo. A regularização
da harmonia entre a oferta e a demanda se dará com aumento da taxa básica para
reverter o desequilíbrio provocado;
4) O superávit fiscal (ou redução do déficit) e a taxa básica adequada afetam a liquidez e melhoram a confiança do mercado, a credibilidade do governo e as expectativas ficam positivas. MAG. 06/12/2021.
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Publicação
de 07/11/2020:
O CRESCIMENTO NATURAL DA
DEMANDA (PIB).
1) POPULAÇÃO. Novas pessoas (jovens e migrações do exterior e rurais para cidades) entrando no mercado como consumidores de: roupas (pessoais, cama, mesa, banho), eletrodomésticos, casa (alugar ou comprar).
2) RENDA. Melhoria de distribuição de renda.
Pessoas de renda mais baixa entrando no mercado de consumo (êxodo rural para
cidades).
3) INOVAÇÕES. Melhorias contínuas e inovações
estimulam compras de automóveis e outros bens de consumo e maquinários. As
inovações: as TVs de tela plana substituíram as antigas (as Smarts outra
inovação) e os computadores e suas melhorias contínuas que são semelhantes a
inovações (depreciação ou exaustão tecnológica).
A
boa ou má QUALIDADE do GASTO PÚBLICO - G - (necessários, desnecessários,
produtivos, improdutivos, meio ou fim, benéficos, maléficos, honestos ou
desonestos), é fator condicionante do crescimento e do desenvolvimento
econômico e social (qualidade de vida). Neste sentido podemos afirmar que o
subdesenvolvimento (a pobreza) é consequência da má qualidade da gestão dos
gastos públicos.
O
aumento dos meios de pagamentos e das atividades econômicas (demanda) sem contrapartida
de aumento da produção (oferta PIB) tem como efeito demanda subir em desarmonia
com a oferta e provoca inflação. Existindo
capacidade
instalada ociosa, estoques, fatores de produção não utilizados ou evolução
tecnológica que permita aumento de produção (produtividade), o aumento dos
meios de pagamentos pode provocar aumento do PIB sem ocorrer inflação. Os
monetaristas (e liberais) aconselham que a moeda deve ter um crescimento
conhecido e ter por limite o crescimento potencial do PIB;
b) DISTRIBUIÇÃO DE RENDA. A melhoria da distribuição da renda aumenta o consumo (nível de atividades) e pode causar inflação (se não ocorrer aumento de produção);
c) TAXAS DE JUROS de mercado menor que a natural, ou taxa básica (ou redesconto) menor do que a de equilíbrio ou neutra eleva a demanda e os preços;
d) EMISSÃO DE MOEDAS para fazer face a gastos improdutivos e desnecessários aumenta meios de pagamento e demanda e inflação se o aumento da oferta ocorrer após o aumento da demanda;
e) DIVISAS. Entrada de divisas estrangeiras com conversão para moeda local (aumenta liquidez e pode provocar inflação);
f) DEMANDA X OFERTA. Aumento da procura global sem aumento da oferta global é a causa geral de inflação;
g) EXPORTAÇÕES. Necessidade de aumentar as exportações para fazer face a pagamentos de dívidas externas reduz oferta interna e aumenta preços;
h) Desvalorização da moeda para aumentar as exportações aumenta internamente os preços de produtos e de insumos importados e exportados;
i) FATORES DE PRODUÇÃO (pleno emprego) - Não existindo pleno emprego dos fatores de produção (trabalho, capital, recursos naturais, tecnologia), o aumento dos gastos do governo (G) e dos meios de pagamentos, direcionados a investimentos eficazes e de maturação de médio prazo, não provocam inflação podendo ser uma medida benéfica e de estímulo à economia (estimula a procura global, os investimentos e a produção);
j) EFEITO ENRIQUECIMENTO - Expectativas positivas e segurança quanto ao futuro podem aumentar o consumo provocando aumentos de preços, caso inexista aumento de produção. A percepção de aumento de renda pessoal, provocada por valorizações de ativos etc., provoca sensação de segurança e aumento de consumo;
k) EFEITO EMPOBRECIMENTO - Expectativas negativas provocadas por desvalorizações de ativos, poupanças, bolsas, imóveis etc., provoca percepção de empobrecimento e por taxas de juros reais negativas (queda da renda de poupadores, de fundos de pensões etc.), provocam insegurança quanto ao futuro e podem induzir a redução de consumo e a queda de preços (paradoxo);
b) TODAS AS ECONOMIAS SÃO CAPITALISTAS, A DIFERENÇA É:
b1)
AS ECONOMIAS LIBERAIS (DE MERCADO): a iniciativa privada (empresas, pessoas)
luta pela sobrevivência enfrentando as concorrências. A sobrevivência depende
de atenderem a vontade dos consumidores, de ganhos contínuos de produtividade e
de inovações. A riqueza fica com a iniciativa privada, o estado normatiza e
cobra tributos, mas não opera;
b2)
O CAPITALISMO DE ESTADO (INTERVENCIONISMO DE ESQUERDA, SOCIALISMO, COMUNISMO):
as empresas são dirigidas por burocratas de governo (a produção obedece ao
plano de burocratas do governo, as empresas sobrevivem mesmo com prejuízos). A
riqueza fica nas mãos dos burocratas que comandam o governo.
ESTA
É A ESCOLHA:
a) a distribuição da riqueza no Capitalismo Liberal fica nas mãos da iniciativa privada (que se sacrifica pela sobrevivência das empresas);
b) no Capitalismo de Estado (intervencionismo de estado) a maior parte da riqueza fica na mão do estado (na verdade nas mãos da burocracia que domina o estado);
c)
a demagogia sobre a distribuição da riqueza: ficar nas mãos de quem se
sacrifica pelo sucesso das empresas, ou nas mãos da elite burocrática que
domina o estado. MAG 07/11/2020.
A RENDA (PODER DE COMPRA) E O CONSUMO
(28/09/2020).
A renda nacional é representada pela soma das variáveis:
RNB = RENDA DO TRABALHO (assalariado com e sem carteira, autônomos e
MEI) + LUCROS + JUROS + ALUGUÉIS.
A DEMANDA D = C + I + G + E = PIB + M = OFERTA.
O CONSUMO = D - (I + G + E) = OF – (I + G + E) = PIB + M – (I + G + E) =
PIB - (I + G + E - M)
(Conforme o sistema padronizado de contas nacionais originado em Keynes,
Teoria Geral
, iniciado e organizado por Simon Kuznets, aperfeiçoado por Richard
Stone. A ideia de equilíbrio presume o desequilíbrio).
Sabemos que: o consumo é função da riqueza
acumulada e da garantia de renda futura em relação à expectativa de vida.
A expectativa, neste momento, não é de renda futura garantida: Renda do
Trabalho, Lucros, Juros, Aluguéis. Os empregos e a renda do trabalho ainda não
demonstram segurança futura. As empresas também sem segurança de lucros
futuros. Os juros básicos
negativos representam queda de renda e de poder de compra (consumo). Além de
reduzir a renda provocam fuga para ativos no exterior (dólar, ouro ou bolsa). O
juro básico tem que ser fixado buscando manter uma relação de equilíbrio entre
demanda e oferta. Juros negativos podem estimular a demanda na mesma proporção
que a fuga de capitais e uma percepção de empobrecimento (queda de poder de
compra).
EFEITO EMPOBRECIMENTO - Expectativas negativas, provocadas por
desvalorizações de ativos (poupanças, bolsas, imóveis etc., provoca percepção
de empobrecimento), e por taxas de juros reais negativas (queda da renda de
poupadores, de fundos de pensões etc.), provocam insegurança quanto ao futuro e
podem induzir a redução de consumo e a queda de preços
(paradoxo).
EFEITO ENRIQUECIMENTO - Expectativas positivas e segurança quanto ao
futuro podem aumentar o consumo provocando aumentos de preços, caso inexista
aumento de produção (a percepção de aumento de renda pessoal, provocada por
valorizações de ativos etc., provoca sensação de segurança e aumento de
consumo). MAG 28/09/2020. Resumo de escrito 10/1998.
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A POLÍTICA MONETÁRIA
E SUA RELAÇÃO COM O PIB E A RIB EM PAÍS QUE NÃO EMITE MOEDA RESERVA E MEIO DE
PAGAMENTO MUNDIAL (17/08/2020).
O consumo (maior parte do PIB = C + I) é influenciado pela renda das pessoas físicas = renda das famílias (a renda das pessoas jurídicas é influenciada pela das famílias). Sabemos que a RIB (renda interna bruta) = PIB (produto interno bruto) = renda do trabalho (salários + autônomos) + juros + lucros + aluguéis (S + L + J + A). Para o PIB crescer teremos que ter expectativas de crescimento do consumo que depende das expectativas de renda futura. Resumindo: o consumo depende da riqueza acumulada e de sua renda (juros, lucros, dividendos) e da expectativa da renda permanente do trabalho (empregos, rendas do trabalho e expectativa de conjuntura ascendente). Os investimentos dependem da expectativa do consumo.
A INFLAÇÃO IRÁ
ESTOURAR ANTES DAS ELEIÇÕES SE A SELIC DEMORAR A SER AUMENTADA E BOLSONARO NÃO
SERÁ REELEITO. MAG 17/08/2020.