domingo, 10 de maio de 2026

BRASIL, PETRÓLEO E CÂMBIO.

 BRASIL, PETRÓLEO E CÂMBIO.

O Brasil é um país exportador de petróleo e importador de derivados. O saldo do balanço comercial é superavitário para o Brasil. Isto faz a entrada de dólares ser também superavitária. A vitoriosa política monetária do país e um BC respeitado e competente dão segurança à moeda (apesar dos déficits fiscais nominais). A correta política de exploração de petróleo atrais investimentos externos (o Brasil tem o conceito de respeitar contratos), mais entrada de dólares.

A entrada de dólares faz a oferta dele subir e o desvalorizar em relação ao real. O BC tem que entrar comprando dólar para evitar uma desvalorização excessiva. Isto monetiza a economia e obriga o BC entrar reduzindo a liquidez para evitar agravamento do processo inflacionário. O real valorizando-se faz a demanda externa por ele subir e valorizá-lo mais ainda. Como a política fiscal é expansionista e deficitária, o TN tem que financiar-se no mercado, aumentando a demanda por liquidez, fazendo os juros nominais de mercado de curto e longo prazo subirem (a curva de juros fica ascendente). Para evitar que o processo inflacionário fique ascendente o BC tem que manter uma taxa básica adequada (alta em relação ao exterior). A taxa básica alta atrai investimentos externos para a bolsa e o mercado financeiro, provocando mais entrada de dólares e sua desvalorização. O BC tem que entrar comprando dando liquidez ao mercado. O lado positivo é a valorização do real ajudar no combate à inflação e exigir menor taxa básica. Acontece um sentimento de riqueza em relação ao dólar (isto pode aumentar a demanda). Os ativos brasileiros se valorizam em dólares aumentando o sentimento de riqueza. Esta sensação de bem-estar pode inverter-se quando ocorrer o processo inverso, o real desvalorizar em relação ao dólar, é o furo da bolha de ativos. Isto provoca uma sensação de perda de riqueza, pobreza, tornando o ambiente interno de bem-estar para mal-estar.  

O BC deve intervir o mínimo possível no mercado, apenas dando ou retirando liquidez excessiva.

Como a produção de petróleo brasileira tende a crescer a conjuntura parece que será mantida com segurança.  

 O parque industrial brasileiro enfrentando concorrência pode ou deve ganhar ganhos de produtividade. O real valorizado aumenta a capacidade de importar maquinários e processos entrando em melhoria contínua e ganhar produtividade. Nossos preços são altos em relação ao exterior, ganhar produtividade não é difícil. A produção agrícola movimenta a indústria inclusive a de caminhões, tratores, máquinas agrícolas, ferrovias. A pecuária e mineração é semelhante. A indústria acompanha a agropecuária, a mineração, a aciaria etc.

Câmbio valorizado reduz custo de modernização:

Quando o real se valoriza:

  • máquinas importadas ficam mais baratas;
  • softwares industriais ficam mais acessíveis;
  • automação custa menos;
  • componentes eletrônicos importados barateiam;
  • tecnologia estrangeira torna-se mais disponível.

Isso pode acelerar:

  • mecanização;
  • digitalização;
  • automação;
  • robotização;
  • ganho de escala;
  • modernização logística.

Ou seja, um câmbio forte pode aumentar produtividade estrutural.

Concorrência externa força eficiência.

Um ponto importante:

Concorrência internacional pode disciplinar a indústria.

Economias muito protegidas frequentemente desenvolvem:

  • baixa produtividade;
  • excesso de margens;
  • pouca inovação;
  • acomodação tecnológica.

A exposição à concorrência externa força:

  • redução de custos;
  • inovação;
  • melhoria gerencial;
  • aumento de eficiência operacional.

Isso ocorreu em vários países asiáticos.

O agro brasileiro não é “setor primário simples”

Esse ponto é essencial.

O agronegócio brasileiro moderno é altamente industrializado e tecnologicamente sofisticado.

Ele demanda:

  • fertilizantes; máquinas; tratores; caminhões; softwares; biotecnologia; sementes geneticamente modificadas; logística pesada; armazenagem; ferrovias; portos; energia; indústria química; indústria metalúrgica.

Ou seja, o agro cria cadeias industriais complexas.

O mesmo vale para a mineração; siderurgia; petróleo; celulose.

Esses setores geram forte efeito multiplicador industrial. 05/2026