BRASIL, PETRÓLEO E CÂMBIO.
O Brasil é um país exportador de petróleo e importador de derivados. O saldo do balanço comercial é superavitário para o Brasil. Isto faz a entrada de dólares ser também superavitária. A vitoriosa política monetária do país e um BC respeitado e competente dão segurança à moeda (apesar dos déficits fiscais nominais). A correta política de exploração de petróleo atrais investimentos externos (o Brasil tem o conceito de respeitar contratos), mais entrada de dólares.
A entrada de dólares faz a oferta dele
subir e o desvalorizar em relação ao real. O BC tem que entrar comprando dólar
para evitar uma desvalorização excessiva. Isto monetiza a economia e obriga o
BC entrar reduzindo a liquidez para evitar agravamento do processo
inflacionário. O real valorizando-se faz a demanda externa por ele subir e
valorizá-lo mais ainda. Como a política fiscal é expansionista e deficitária, o
TN tem que financiar-se no mercado, aumentando a demanda por liquidez, fazendo
os juros nominais de mercado de curto e longo prazo subirem (a curva de juros
fica ascendente). Para evitar que o processo inflacionário fique ascendente o
BC tem que manter uma taxa básica adequada (alta em relação ao exterior). A
taxa básica alta atrai investimentos externos para a bolsa e o mercado
financeiro, provocando mais entrada de dólares e sua desvalorização. O BC tem
que entrar comprando dando liquidez ao mercado. O lado positivo é a valorização
do real ajudar no combate à inflação e exigir menor taxa básica. Acontece um
sentimento de riqueza em relação ao dólar (isto pode aumentar a demanda). Os
ativos brasileiros se valorizam em dólares aumentando o sentimento de riqueza.
Esta sensação de bem-estar pode inverter-se quando ocorrer o processo inverso,
o real desvalorizar em relação ao dólar, é o furo da bolha de ativos. Isto
provoca uma sensação de perda de riqueza, pobreza, tornando o ambiente interno
de bem-estar para mal-estar.
O BC deve intervir o mínimo possível no
mercado, apenas dando ou retirando liquidez excessiva.
Como a produção de petróleo brasileira
tende a crescer a conjuntura parece que será mantida com segurança.
Câmbio valorizado reduz custo de modernização:
Quando o
real se valoriza:
- máquinas importadas ficam mais baratas;
- softwares industriais ficam mais
acessíveis;
- automação custa menos;
- componentes eletrônicos importados
barateiam;
- tecnologia estrangeira torna-se mais
disponível.
Isso pode
acelerar:
- mecanização;
- digitalização;
- automação;
- robotização;
- ganho de escala;
- modernização logística.
Ou seja, um
câmbio forte pode aumentar produtividade estrutural.
Concorrência externa força eficiência.
Um ponto
importante:
Concorrência
internacional pode disciplinar a indústria.
Economias
muito protegidas frequentemente desenvolvem:
- baixa produtividade;
- excesso de margens;
- pouca inovação;
- acomodação tecnológica.
A exposição
à concorrência externa força:
- redução de custos;
- inovação;
- melhoria gerencial;
- aumento de eficiência operacional.
Isso
ocorreu em vários países asiáticos.
O agro brasileiro não é “setor primário simples”
Esse ponto
é essencial.
O
agronegócio brasileiro moderno é altamente industrializado e tecnologicamente
sofisticado.
Ele
demanda:
- fertilizantes; máquinas; tratores; caminhões;
softwares; biotecnologia; sementes geneticamente modificadas; logística
pesada; armazenagem; ferrovias; portos; energia; indústria química; indústria
metalúrgica.
Ou seja, o
agro cria cadeias industriais complexas.
O mesmo
vale para a mineração; siderurgia; petróleo; celulose.
Esses
setores geram forte efeito multiplicador industrial. 05/2026
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