terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O SOCIALISMO (e inflação) DO IMPERADOR ROMANO DIOCLECIANO E A INFLAÇÃO DE D. PEDRO I do BRASIL



ROMA E A TENTATIVA DE GOVERNO SOCIALISTA DE DIOCLECIANO.

Em 276 os exércitos romanos escolheram PROBO como Imperador (íntegro e corajoso). Expulsou os germanos da Gália, os vândalos da Ilíria, construiu uma muralha entre os rios Reno e o Danúbio, amedrontou os Persas apenas com a firmeza de suas palavras e implantou a paz no Império. Reduziu os gastos com os exércitos e implantou o reino das leis. Colocou o exército para drenar pântanos, derrubar florestas e trabalhar em obras públicas. Foi assassinado pelo exército (que depois arrependeu-se e ergueu um monumento em sua memória).
Para sucedê-lo o escolhido foi DIOCLECIANO um Imperador com grande habilidade política. Conseguiu pacificar as correntes políticas e organizar o governo. Estabeleceu a sede do governo em Nicomédia na Ásia Menor (ao sul de Bizâncio). O Senado se reunia em Roma. Organizou um estado com administração centralizada. A ditadura era uma necessidade das guerras. Foi bem-sucedido nas guerras. Nos anos de paz enfrentou uma crise econômica (declínio). Para enfrentar a carestia implantou a ECONOMIA DIRIGIDA. Estabeleceu um regime monetário sadio (garantiu a pureza e o peso das moedas que dizem ter perdurado até 1453), mas tabelou preços, distribuiu alimentos pela metade dos preços e empreendeu grandes obras públicas para dar trabalho aos desempregados. Estabeleceu controle estatal sobre vários segmentos de atividades (inclusive estatizou a importação de trigo). Proibiu a exportação de sal, ferro, ouro, vinho, cereais e óleo da Itália e regulou com rigor a importação destes bens. As regulamentações eram minuciosas e entravaram as negociações. As vendas de facilidades e de privilégios passaram a ser rotina. Com a desorganização dos mercados que a tentativa de organização centralizada provocou (os mercados substituídos pelo estado e regulamentações), a solução foi tabelar preços e culpar os açambarcadores. Foi uma das tentativas de substituir as leis de mercado (oferta e procura) por dirigismo estatal. O fracasso foi total e instantâneo (tipo plano cruzado e seus tabelamentos). A carestia aumentou, mercadorias essenciais deixaram de existir. O Édito teve de ser afrouxado (Constantino o revogou). O custo da administração dirigida foi uma das fraquezas do regime de Diocleciano. Para sustentar tal burocracia (dizem ter chegado à metade da mão de obra) as taxas foram aumentadas. Para evitar o recebimento de tributos com moeda depreciada começaram a receber com produtos. A fiscalização empregava até tortura. Muitas cidades deixaram de existir pois as populações passaram a buscar refúgio entre os bárbaros. Outros absurdos aconteceram (até a escravidão por dívidas com o estado). Mesmo com este exemplo a humanidade repetiu e ainda tenta repetir os mesmos erros.

A INFLAÇÃO DE D. PEDRO I:
Portugal para vingar-se de Napoleão invadiu o Uruguai (partindo do Brasil) e tomou-o da Espanha (governada por um irmão de Napoleão) ajudado pela Inglaterra. D. Pedro herdou uma província habitada por espanhóis sem lei e sem ordem (assaltos às fazendas para roubo de gado). Com a independência o Brasil ficou quebrado (as guerras, diferente do que muitos escrevem, para tomar as províncias de Portugal e impedir a divisão do Império foram muito caras). Uruguaios e argentinos aproveitaram o enfraquecimento do Império e iniciaram a guerra para anexação da província à Argentina. D. Pedro gastou pedindo empréstimos para manter a guerra (a verdade é que fomos derrotados) e quebrou o tesouro que já estava à míngua. Com a ajuda dos ingleses exigiu a independência do Uruguai para fazer a paz (um estado tampão).
A guerra teve efeitos na economia e na disciplina militar (mais da metade do orçamento chegou a ser gasto com o exército e a marinha).
O Império foi obrigado a EMITIR. A INFLAÇÃO DISPAROU. O deságio do papel moeda (para as moedas de metais) chegou a 40%. Ninguém acreditava no dinheiro papel brasileiro.
ESTA HISTÓRIA SE REPETE DESDE ENTÃO. ALGUNS APRENDERAM (SÃO OS MONETARISTAS, OU RESPONSÁVEIS) OUTROS CONTINUAM ACREDITANDO QUE SE PODE GASTAR À VONTADE (SÃO OS IRRESPONSÁVEIS, QUE SE APELIDARAM DE DESENVOLVIMENTISTAS. NA VERDADE CRIADORES DE RECESSÕES E DE CRISES CAMBIAIS) .


sábado, 2 de dezembro de 2017

O DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA POR BENEFICIÁRIOS (2016).



O DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA POR BENEFICIÁRIOS (2016):

TÍTULO
BENEFIC. mil
DÉFICIT bi.
PER CAPTA mil
SERV. PÚB. CIVIS
623,5
43,1
68,1
MILITARES
299
34,1
127,7
INSS URBANO
24.200
36,4
1,5
INSS RURAL
9.400
101,6
10,7

Fonte: VALOR EDITORIAL 01/12/2017.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A QUANTIDADE DE MOEDA (LIQUIDEZ), A CONJUNTURA (AMBIENTE, PAÍSES) EM QUE É ACEITA, A INFLAÇÃO, O CRESCIMENTO E A RECESSÃO.



A QUANTIDADE DE MOEDA (LIQUIDEZ), A CONJUNTURA (AMBIENTE, PAÍSES) EM QUE É ACEITA, A INFLAÇÃO, O CRESCIMENTO E A RECESSÃO.  

A quantidade de moeda em conceito ampliado para liquidez deve ser estratificada em:
1) moeda corrente, dep. a vista;
2) aplicações financeiras com cláusulas de recompra;
3) cad. de poupanças e títulos vincendos (de cp e de lp) com até 30 dias;
4) aplicações financeiras de médio e lp, com facilidade de negociação no mercado;
5) ativos que não a moeda pátria (possíveis de venda);
6) moedas reservas mundiais;
7) ações com liquidez e ouro;
8) imóveis residenciais, comerciais e industriais (maquinários) com alta liquidez;
9) quadros, joias.

A comparação que se deve fazer é entre: a quantidade de moeda na definição acima x o PIB (conjuntura, ambiente, países) em que a moeda é aceita nas três funções básicas, unidade de medida, meio de pagamento e reserva de valor e o potencial de crescimento do PIB.

A inflação não acontecerá se o crescimento da liquidez vier acompanhado de potencial relativo de crescimento do PIB, ou do ambiente (países) em que a moeda é aceita como liquidez (ou passar a ser aceita). O dólar passou a ser aceito por um número maior de países sendo que muitos com potencial de crescimento muito grande (China). As reservas mundiais cresceram. A liquidez pode crescer, permitir uma taxa de juro baixa e não provocar inflação.
Se a quantidade moeda (conceito liquidez ampliada) não acompanhar o crescimento da conjuntura pode provocar recessão ou redução do crescimento.

O país que emite a moeda reserva mundial tem este privilégio, mas se administrar mal a moeda perderá e sofrerá as consequências (relação quantidade de moeda x política fiscal x conjuntura). MAG 11/2017.


domingo, 5 de novembro de 2017

UMA TENTATIVA DE EXPLICAR AS CONTAS DO TN E DA PREVIDÊNCIA.



UMA TENTATIVA DE EXPLICAR AS CONTAS DO TN E DA PREVIDÊNCIA.

As contas do TN abrangem o INSS e o RPPS (da união). A lei da previdência é genérica para INSS e para o RPPS (previdência dos funcionários públicos da União, estados e municípios). O TN administra as despesas obrigatórias (salários, previdência, transferências constitucionais, as fixadas em percentual das receitas) e as discricionárias. Abaixo um resumo das contas sem despesas financeiras e pagamentos de dívidas (o que chamam de resultado primário). A dívida da União (o estoque) garante os fundos de pensão (de empresas públicas e privadas), os fundos de investimentos de pessoas (físicas e jurídicas) administrados pelos bancos, os fundos das seguradoras (que garantem as indenizações) e as sobras de caixa dos bancos. Se a União deixar de pagar acontece o caos na economia: uma quebradeira geral, uma depressão (muito pior do que recessão). 

É sabido por todos que o INSS paga aposentadorias baixas e o RPPS altas, algumas abaixo do teto do INSS (R$ 5.531,31), a maioria abaixo do teto do RPPS (R$33.700,00) e muitas acima do teto do RPPS (é o que chamo de corrupção legalizada pelo judiciário).

As receitas do INSS e do RPPS não garantem os pagamentos das aposentadorias e pensões (os dois sistemas são deficitários). Além das receitas do INSS e do RPPS a União (estados e municípios não) arrecada a COFINS  e o PIS que devem ser gastos com a Seguridade Social (saúde, educação, assistência social e previdência). Estas receitas sustentam os déficits da União com a previdência (mas são retiradas da saúde e da educação). Os estados e municípios não têm estas receitas.

Uma análise contábil e financeira considera a evolução do passado (a tendência), o presente e as projeções (o futuro). Verão na tabela abaixo que a união tem déficit crescente na previdência e no saldo geral (o resultado primário). Isto sem considerar pagamentos de juros e das dívidas.

Existem dois sistemas de previdência: CAPITALIZAÇÃO E REPARTIÇÃO. O  sistema de capitalização no Brasil ficou inviável por causa do estoque da dívida (aposentadorias, pensões e contribuintes com expectativas de direitos).  O sistema que o governo gerencia é o de repartição: as contribuições dos trabalhadores ativos devem pagar as aposentadorias de cada mês. Existe uma conta simples que explica até para leigos o sistema: se existir 1 aposentado e 1 contribuinte, este deverá pagar o salário do aposentado. No Brasil estamos em torno de mais ou menos 2,5 contribuintes para cada aposentado. Uma conta grossa indica que as contribuições devem ser de 100 / 2,5 = 40% (isto se a média dos salários dos contribuintes for igual à média das aposentadorias e pensões). Está provado que o sistema é insustentável e vergonhosamente privilegia minorias (MPF, LEGISLATIVO, IR, JUDICIÁRIO E OUTROS). Não se deixe enganar, não seja massa de manobra.

A reforma da previdência irá igualar direitos do INSS e do RPPS (eliminar privilégios). Tentam através de análises interesseiras (políticos que defendem o quanto pior melhor e a turma privilegiada com aposentadorias insustentáveis) demonstrar através de contas sem a mínima sustentação que seus privilégios podem ser mantidos (e a massa de manobra do INSS que sempre foi roubada e sustenta os privilégios ainda apoia).

Vejam os saldos de 2016 e de 2017 (até ago).

RESULTADO PRIMÁRIO DO GOVERNO CENTRAL (conceito acima da linha). R$ bilhões.


ANO
RECEITAS
Transf.
REC.
Líquida
 
DESPESAS
RESULTADO Gov. Fed.
RESULT.
BC
RESULT.
Gov. Central
PREVID.
TN + BC
Total
Previd.
TN + BC
Total
TN
PREVID.
TOTAL
2010
211,96
706,56
918,53
134,69
783,84
254,86
450,21
750,07
122,18
-42,89
79,29
-0,520
78,77
2011
245,89
742,38
988,27
163,04
825,23
281,44
450,27
731,71
129,62
-35,55
94,07
-0,552
93,52
2012
275,76
784,12
1059,89
171,39
888,50
316,59
496,04
812,63
129,84
-40,83
89,01
-0,752
88,26
2013
307,15
871,84
1178,98
183,39
995,59
357,00
561,59
918,59
128,16
-49,86
78,31
-1,318
76,99
2014
337,50
883,97
1221,47
199,96
1021,51
394,20
644,52
1038,72
39,60
-56,70
-17,10
-0,115
-17,21
2015
350,27
897,52
1247,79
204,68
1043,10
436,09
722,61
1158,70
-28,22
-85,82
-114,04
-0,699
-114,74
2016
358,14
956,82
1314,95
226,84
1088,12
507,87
734,50
1242,37
-3,55
-140,73
-153,28
-0,972
-154,25
JAN.
27,11
114,08
141,20
17,17
124,03
35,57
73,62
109,19
23,45
-8,46
14,99
-0,160
14,835
FEV.
28,01
61,59
89,61
22,15
67,46
38,28
54,18
92,46
-14,72
-10,26
-24,98
-0,017
-25,00
MAR.
28,52
69,66
98,19
13,37
84,82
38,78
53,92
92,71
2,43
-10,26
-7,82
-0,071
-7,89
ABR.
30,43
88,99
119,42
15,74
103,68
38,94
54,92
93,86
18,33
-8,51
9,82
0,005
9,82
MAI.
28,25
68,25
96,50
20,21
76,29
40,49
51,28
91,77
-3,12
-12,24
-15,36
-0,116
-15,479
JUN.
28,49
71,83
100,32
16,58
83,74
39,20
53,33
92,53
1,97
-10,71
-8,74
-0,044
-8785
JUL.
27,47
80,42
107,89
16,06
91,82
39,29
71,10
110,39
-6,82
-11,82
-18,64
0,072
-15,57
AGO.
28,53
62,79
91,32
16,33
74,98
43,84
51,49
95,33
-4,88
-15,31
-20,19
-0,152
-20,346
SET.
27,69
65,96
93,65
12,89
80,76
52,76
53,29
106,05
-0,247
-25,07
-25,32
0,031
-25,29
OUT.
28,26
119,62
147,88
15,88
132,00
39,50
51,68
91,18
52,28
-11,24
41,04
-0,222
40,81
NOV.
28,56
71,75
100,31
25,77
74,54
47,53
65,36
112,89
-19,17
-18,97
-38,13
-0223
-38,357
DEZ.
46,81
81,84
128,65
34,74
93,92
53,68
100,36
154,04
-53,18
-6,87
-60,05
0,076
-60,124
2017
295,01
812,90
1107,92
185,49
922,43
450,23
575,44
1025,67
52,59
-155,22
-102,63
-0,615
-103,24
JAN.
26,9
110,57
137,4
18,58
118,85
40,3
59,54
99,8
32,5
-13,37
19,18
-0,14
19,04
FEV.
28,4
65,69
94,1
24,96
69,96
41,95
53,46
95,41
-12,8
-13,59
-26,35
0,07
-26,28
MAR.
29,1
73,90
102,9
15,34
87,57
42,1
56,45
98,55
2,1
-13,1
-110,1
0,03
-10,98
ABR.
31,1
94,97
126,1
18,1
108,1
43,1
52,37
95,55
24,78
-11,99
12,79
-0,22
12,57
MAI. 29,55 69,84 99,39 21,62 77,76 47,57 59,56 107,13 -11,23 -18,02 -29,22 -0,117 -29,37
JUN. 29,78 75,04 104,82 18,14 86,68 42,62 63,86 106,48 -6,93 -12,84 -19,77 -0,028 -19,80
JUL. 29,64 78,93 108,57 19,43 89,13 43,15 66,13 109,28 -6,56 -13,52 -20,07 -0,077 -20,23
AGO. 30,30 79,84 110,13 18,10 92,04 47,19 54,45 101,63 7,38 -16,89 -951 -0,086 -9,60
SET. 30,12 73,997 104,12 14,22 89,9 58,27 54,27 112,54 5,61 -28,14 -22,54 -0,102 -22,64
OUT. 30,187 90,239 120,43 17,18 103,25 43,99 54,07 58,06 18,95 -13,80 5,15 0,039 5,19

FONTE BC E TN.