terça-feira, 25 de março de 2014

JURO ALTO NÃO DERRUBA INFLAÇÃO. (???).

JURO ALTO NÃO DERRUBA INFLAÇÃO. (???).

O título da matéria (18/03/2014. As interrogações são minhas) é cópia da afirmação de um professor e diretor de conceituada escola de economia de SP, administrador de empresas com mestrado e doutorado na Cornell University, USA.
Defino a afirmação do título como um entendimento embotado de política monetária e de macroeconomia, ou então demagogia. O arrazoado utilizado no artigo é parcial e errado, pior do que os analistas que utilizam conceitos reducionistas para fazer afirmações genéricas (as equações quantitativas são reducionismos didáticos, já a teoria quantitativa e a monetarista são genéricas e evoluem com o tempo). Bem verdade que muitos articulistas de jornais (até economistas) não sabem (ou fingem não saber) os efeitos das ações de medidas de política monetária. Consideram em suas análises os efeitos dos aumentos da taxa básica de juro apenas para os consumidores que compram a prazo e pagam juros (é uma análise reducionista e errada). Consideram também o juro real como a diferença entre o nominal e a inflação projetada no ano (uma enganação). A taxa básica tem o efeito de aumentar os juros pagos pelos bancos aos poupadores (os que recebem renda mensal, salários, etc., os que detêm poupanças, os que vendem ativos). O juro considerado deve ser o real verdadeiro, ou seja, o nominal - IRF - inflação projetada para os meses seguintes e para o ano. É o que os economistas pragmáticos definem como juros ex-ante. Se o juro real ex-ante for considerado positivo os agentes podem postergar os gastos (consumo ou investimento), se for negativo as compras são estimuladas (é o que podemos chamar de política monetária expansionista). A taxa de juro real de equilíbrio (neutra), por simples bom senso não pode ser negativa, portanto seria um ponto da curva de juros de mercado. Qual? Por pragmatismo e bom senso é o ponto mais negociado da curva (maior volume), onde tomadores e doadores concentram as operações (os agentes que têm valor em jogo e não teóricos curiosos). No Brasil tem sido a taxa de 1 ano (DI  360), nos USA gira entre o T-Note de 2 e de 5 anos (com preponderância para o de 2 anos). É simples entender que quanto maior a taxa real de juros, maior também será a postergação dos gastos (redução das atividades). O argumento de que a taxa básica não interfere nas altas dos preços ocasionadas por fenômenos episódicos (secas, etc.) é absolutamente errado. Com uma taxa de juro negativa a pressão da demanda é maior do que com uma positiva e por extensão afetam os preços (puro bom senso). Taxa de juro real negativa influencia também as expectativas, pois todos os agentes que têm valores em jogo fogem da moeda que se desvaloriza para outros ativos ou consumo. Os processos inflacionários começam sempre assim (contaminação generalizada dos preços), os agentes param de confiar nos responsáveis pela condução da política econômica (fiscal, monetária e cambial).  

Opções de políticas monetária (é função da política monetária assegurar o poder de compra da moeda). Os Bancos Centrais podem atuar através de:
 1) Administração das taxas de juros ( básica x de mercado );
 2) Depósitos compulsórios;
 3) Compra ou venda de títulos públicos (afeta liquidez e por extensão as taxas de juros);
 4) Compra ou venda de moedas inclusive atuação em mercados futuros;
 5) I. O. F. = Imposto sobre Operações Financeiras.
A opção pelo aumento da taxa básica para reverter as expectativas e o início de um processo inflacionário, passou a ser o preferido pelos principais BCs do mundo, por seu efeito ser maior, mais rápido e de mais fácil aplicação e controle. O aumento da taxa básica atua imediatamente sobre os juros de mercado de cp (por extensão nos de lp) para pagamento aos agentes. Os bancos, agentes captadores, aplicam suas captações no BC (lucro pequeno, mas risco e custo zero), reduzindo a liquidez e a pressão da demanda (as atividades reduzem). Claro que se a taxa básica real for negativa e o aumento efetuado pelo BC colocá-la ainda como negativa os efeitos serão pequenos. O mesmo acontece quando a taxa fica positiva, mas em patamar pequeno e pouco seguro quanto ao longo prazo. O efeito é maior quando a taxa básica é estabelecida acima do ponto neutro (no Brasil o DI 360) e influencia as taxas longas de juros fazendo-as cair. A curva de juros fica positiva (ascendente) no cp e negativa no lp (descendente). Claro que uma política monetária considerada responsável irá fazer a moeda ser mais considerada e respeitada valorizando-a em relação a outras menos respeitadas. A valorização ocorre mesmo contra o dólar, moeda reserva e meio de pagamento mundial, pela desvalorização excessiva ocorrida no momento anterior de política monetária considerada irresponsável. É o início do ciclo favorável aos negócios, a previsibilidade aumenta, as atividades e os investimentos também. MAG 03/2014.    

3 comentários:

  1. Quando a taxa de juro real ex-post (a taxa realizada) fica negativa (e a real ex-ante era considerada positiva) o processo inflacionário se agrava. .

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  2. INFLAÇÃO REPRIMIDA: será corrigida ao longo do tempo com taxa básica adequada (0,25% acima do DI 360, correção mais rápida com maior efeito sobre nível de atividades, ou 0,25% abaixo do DI 360, correção mais lenta, ficando mais dependente de fatores externos e da política fiscal).

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