domingo, 3 de julho de 2016

POLÍTICAS CAMBIAIS.



POLÍTICAS CAMBIAIS.

RESPONDENDO A QUEM DEFENDE QUE OS BCs DEVEM TENTAR MANTER A MOEDA PÁTRIA DESVALORIZADA PARA AJUDAR A INDÚSTRIA (e à agropecuária) EXPORTADORA (e dificultar importações).

Recorro a partes de textos já publicados.  
Em 10/1998 publiquei em meu site (http://www.magconsultoria.uaivip.com.br/) um texto meio genérico sobre economia onde escrevi:

1) MOEDA - REGIMES CAMBIAIS - INFLAÇÃO - DESENVOLVIMENTO - 10/1998:

1) PADRÕES MONETÁRIOS:

1.1) METÁLICO: Ouro,  prata.
1.2) PAPEL MOEDA: CONVERSÍVEL - Moedas mundialmente aceitas como reserva  de valor (poupança). NÃO CONVERSÍVEL - Moedas legais dos países.
1.3) ESCRITURAL: todas as formas de moeda, inclusive depósitos (cada uma em seu ambiente).

FUNÇÕES DA MOEDA:

A política monetária  (gerenciamento da moeda)  deve ter como missão respeitar as funções da moeda:
a) RESERVA DE VALOR:  permite formação de mercados de poupanças,  empréstimos e investimentos (a longo prazo), em consequência o desenvolvimento sustentado.
b) UNIDADE DE MEDIDA: permite ao mercado precificar o valor dos bens e serviços, facilitando negócios e o desenvolvimento. 
c) MEIO DE PAGAMENTO (instrumento de troca): facilita negociações permitindo que se formem mercados e em consequência ocorra o desenvolvimento.

2) REGIMES CAMBIAIS – TIPOS DE TAXAS DE CÂMBIO:

2.1) FIXA: Valor fixo pelo qual o Banco Central compromete-se a comprar ou vender moedas conversíveis.
.2.2) VARIÁVEL (FLUTUANTE): O Banco Central permite que a taxa de câmbio oscile de acordo com as forças de mercado, só comprando e vendendo moeda por necessidade (dar ou retirar liquidez, evitar movimentos artificiais).
2.3) CONTROLADA: O Banco Central deixa a taxa de câmbio flutuar de acordo com seu  objetivo e as forças do mercado intervindo quando necessário (dando suporte a objetivos).
2.4) MÚLTIPLA (MISTA): O Banco Central fixa várias taxas de câmbio. Uma para compra de petróleo, outra para negócios financeiros, outra para importações e exportações, etc. É utilizada apenas para ocasiões muito específicas e especiais, devendo durar o mínimo tempo possível.

Parte do texto publicado no site em 03/2011

A MOEDA - RESUMO HISTÓRICO:

http://www.magconsultoria.uaivip.com.br/artigos.htm#23)_                                                                  

10. c) em 1944, na conferência de Bretton Woods os USA comprometeram-se a garantir a conversibilidade do dólar em ouro ao preço de US$35,00 por onça-troy. Em 1968 os USA estabeleceu dois preços para o ouro, um oficial apenas para os bancos centrais, outro livre para outros agentes econômicos;

 d) em 15/08/1971, os USA, abandonam totalmente a conversibilidade do dólar em ouro. Em março de 1973 os países industrializados abandonam a paridade fixa com o dólar, deixando suas moedas flutuarem em relação ao mesmo enterrando de vez o sistema de Bretton Woods; e) em 1979 os principais países da Europa decidiram criar um sistema monetário regional (o EURO). O ouro chegou a valer mais de US$800,00 (1980), caindo para US$300,00 em 1985 (as negociações ou especulações como alguns definem alcançaram uma intensidade de movimentação imprevisível). Na primeira década do século 21 o dólar passa a ter circulação muito maior do que a economia dos USA  (na verdade os USA passam a viver de emitir moeda). O regime de câmbio fixo só se justificaria se o dólar fosse conversível em ouro a uma paridade fixa (Bretton Woods). Se o dólar é apenas uma moeda escritural, seu valor dependerá da política monetária e da economia americana (a capacidade dos USA oferecer alguma riqueza real em troca dos dólares). O capital (direitos de receber dividendos, juros, de retorno de capitais) de residentes nos USA no exterior deve ser considerado nesta análise.   

ANÁLISE: incompreensível defender que o BC compre dólar artificialmente acima do valor de mercado (vale 10, mas o BC comprar por 15). O BC não deve intervir no câmbio para desvalorizar ou para valorizar artificialmente. Quem pagaria? Tributos? Inflação? E o mundo vendo e o BC compra o dólar por valor acima do que o mercado precifica, faria o fluxo cambial financeiro ficar absurdamente positivo. Entradas de dólar que o BC teria que comprar monetizando a economia e depois esterilizando comprando-os através da emissão de títulos do TN (se não esterilizar o processo inflacionário se agrava). Além de ser uma transferência de recursos inaceitável, o povo pagando através de perda de poder de compra, de qualidade de vida, ainda teremos uma redução da capacidade de compra - do mercado interno. É empobrecer a todos para proteger empresas sem capacidade de concorrer.

É INACEITÁVEL DEFENDER DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL ARTIFICIAL PARA PROTEGER INEFICIÊNCIAS E INCOMPETÊNCIAS. 07/2016

O BC e o MF podem dificultar as entradas de capitais de curto prazo: prazo mínimo para retorno ou IOF de x%. As operações de Swaps Cambiais, diretos ou reversos, só devem ser feitas se o BC observar movimentos artificiais (mesmo assim por curto prazo). NÃO DEVE OPERAR CONTRA TENDÊNCIAS NATURAIS, NEM PARA EVITAR PREJUÍZOS DO MERCADO (BANCOS OU EMPRESAS).

 PENSAMENTO LIBERAL E LIBERDADE (democracias liberais).
Texto de 04/01/2014.

CÂMBIO E LIBERDADE. MOVIMENTO DE CAPITAIS:

Existindo mercado (demanda) e um ambiente seguro e amistoso, o afluxo de capitais e os investimentos sempre ocorrerão. MAG

A qualidade de vida é sempre melhor nas economias abertas a muitos fornecedores (concorrência). MAG

Desvalorizar a moeda pátria, reduzindo o poder de compra de toda uma sociedade, para proteger lucros e privilegiar segmentos empresariais não competitivos, é arbitrariedade que só poderia ser tomada com o consentimento dos prejudicados. MAG

Valorizar artificialmente a moeda pátria é o caminho mais curto para crise cambial. MAG

Competitividade, ganhos de produtividade, melhoria contínua, só com concorrência. MAG
Governo considerado incompetente ou inamistoso com o mercado e lucros (capitais, investimentos), passa insegurança, afugenta empreendedores e investidores, paralisa investimentos, desvaloriza a moeda pátria acima do que seria normal (empobrece a todos e piora a qualidade de vida). O inverso é verdadeiro: governo amistoso ao mercado atrai empreendedores e investimentos, a moeda pátria valoriza, o poder de compra aumenta (a qualidade de vida melhora com o desenvolvimento).

MAG 03/07/2016.




ITEM 10 COMPLETO; 
10) AS DESVALORIZAÇÕES DAS PRINCIPAIS MOEDAS DESDE A ANTIGUIDADE (SEMELHANTE A UMA MORATÓRIA MODERNA).

As moedas metálicas tinham o seu valor baseado no seu peso e pureza (ouro, prata).
Os romanos para financiar suas guerras de conquistas reduziam o peso e a pureza do ouro contido nas moedas (era um tipo de inflação ou desvalorização da moeda).
Os governos imperiais e monárquicos achavam-se no direito de falsificar a moeda da mesma maneira que os romanos.
Nos tempos mais contemporâneos muitas nações deixaram de honrar o compromisso com sua moeda.
Podemos enumerar os prejuízos (tipo de moratória ou quebra) que deram:

a) a Inglaterra deixou de honrar a conversibilidade da Libra esterlina em ouro na primeira guerra mundial. Após a guerra, em 1925, retornou para a conversibilidade à paridade de antes da guerra. Foi semelhante a um tiro no peito;
b) em 1931 a França resolveu transformar toda a sua reserva em ouro. A Inglaterra não tendo como honrar suspendeu a conversibilidade da Libra esterlina (foi o início do fim da Libra como moeda reserva mundial); 
c) em 1944, na conferência de Bretton Woods, os USA comprometeram-se a garantir a conversibilidade do dólar em ouro ao preço de US$35,00 por onça-troy. Em 1968 os USA estabeleceu dois preços para o ouro, um oficial apenas para os bancos centrais, outro livre para outros agentes econômicos (foi o início do cano);

d) o caso Alemão 1948: Sexta-feira, 18 de junho de 1948. Os alemães (e o mundo) ouviram no rádio: "A primeira lei da reforma do sistema financeiro alemão foi anunciada pelos governos militares do Reino Unido, Estados Unidos e França, a entrar em vigor em 20 de junho de 1948. A moeda alemã válida até hoje será tirada de circulação por essa lei. O novo dinheiro se chamará marco alemão".  As pessoas do mundo inteiro que haviam comprado marco alemão antigo e guardado, confiando na capacidade alemã de soerguer, perderam tudo (foi uma espécie de cano).

e) US$ PADRÃO OURO: em 15/08/1971 os USA abandonam totalmente a conversibilidade do dólar em ouro. Em março de 1973 os países industrializados abandonam a paridade fixa com o dólar, deixando suas moedas flutuarem em relação ao mesmo enterrando de vez o sistema de Bretton Woods (o ouro passa a ser considerado uma mercadoria como as outras).

f) O EURO: em 1979 os principais países da Europa decidiram criar um sistema monetário regional (o EURO). Nasce como moeda em 01/01/2002 (como moeda escritural em 01/01/1999). O ouro chegou a valer mais de US$800,00 (1980), caindo para US$300,00 em 1985 (as negociações ou especulações como alguns definem alcançaram uma intensidade de movimentação imprevisível). Em 2002 US$348,00, 2003 US$438,40, em 2012 US$1675,80, em 10/2013 US$ 1323,70. Na primeira década do século 21 o dólar passa a ter circulação muito maior do que a economia dos USA  (na verdade os USA passam a viver de emitir moeda);

g) O FIM DO CÂMBIO FIXO: o regime de câmbio fixo só se justificaria se o dólar fosse conversível em ouro a uma paridade fixa (Bretton Woods). Se o dólar é apenas uma moeda escritural, seu valor dependerá da política monetária e da economia americana (a capacidade dos USA oferecer alguma riqueza real em troca dos dólares). O capital (direitos de receber dividendos, juros, retorno de capitais investidos no exterior) de residentes nos USA no exterior deve ser considerado nesta análise.  

h) A VANTAGEM DE QUEM EMITE A MOEDA RESERVA MUNDIAL: tem as menores taxas de juros do mundo. Quanto mais emite (monetiza) maior é a procura por seus títulos (aversão ao risco dos outros países) e menores as taxas de juros para seus títulos (são os mais seguros). Podem comprar e investir (fatores de produção) à vontade no exterior (a contrapartida são juros e lucros, além do poder da propriedade). Pode suportar déficits em Transações Correntes com o exterior por anos, assim como na política fiscal. O mundo fica a seus pés. marco aurélio garcia, 03/2011.

ADENDO SOBRE O MONETARISMO: pensamento econômico que afirma que a estabilidade do poder de compra da moeda é condição necessária, mas não o suficiente, para que ocorra o crescimento sustentado.
Recomenda para o controle da inflação:
a) a utilização da taxa básica de juros como a ferramenta mais poderosa para adequar e harmonizar a velocidade de crescimento da oferta e da demanda, controlar a liquidez e o volume de crédito. Fixar acima da taxa neutra ou estrutural, quando ocorre inflação ascendente, abaixo quando a inflação está controlada e a tendência de crescimento não ocorre;
b) o controle da dívida pública (se alta através de superávits primários);
c)  o crescimento da liquidez constante (entre 3% e 5% para não causar inseguranças e imprevisibilidades) e em harmonia com o crescimento econômico.
marco aurélio garcia, 03/2011.


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