DESMISTIFICANDO UM MITO. ESPECULADORES E RENTISTAS. (Resumo de texto de 1994).
Não existe a
variável rentistas em teoria econômica (macroeconomia, política monetária e
fiscal). Existe a variável juros que diversos agentes econômicos (poupadores)
recebem. Em finanças o termo é pouco utilizado, os poupadores são valorizados
(inclusive trabalhadores).
Quem são os
especuladores e rentistas? Todas as pessoas que trabalham, ganham seu dinheiro
honestamente, poupam parte para garantir o futuro (casa própria, aposentadoria etc.)
e aplicam na Caderneta de Poupança, em CDBs, em Bolsa, Ouro, Moedas
estrangeiras (é legal, inclusive manter contas no exterior desde que
declaradas), Fundos de Investimentos etc. São também especuladores e rentistas
os fundos de pensão dos trabalhadores (que garantem aposentadorias e pensões).
O mundo em desenvolvimento (falta poupança doméstica) respeita e atrai os
especuladores rentistas para que invistam em seus países (investimentos
diretos, bolsas, empréstimos, títulos do tesouro etc.). Especuladores e
rentistas são um bem ao invés de um mal, como os demagogos, populistas ou
ignorantes propalam. Em época de eleição políticos demagogos (ou leigos que não
são capazes de ler e entender um bom livro de Política Monetária) falam contra
juros altos; não sabem a diferença entre juro básico, neutro (de equilíbrio),
de mercado (de curto, médio e longo prazos). Não sabem ler e entender uma curva
de juros de mercado. Não sabem a relação entre taxa básica, inflação e juros de
mercado de longo prazo. Não entendem a diferença entre quantidade moeda (M0,
M1, M2, M3, M4) e liquidez. A relação entre quantidade de moeda, liquidez,
inflação (ascendente ou descendente) e PIB potencial.
Para completar:
a maior parte da renda nacional é oriunda do trabalho (salários, honorários,
serviços gerais), por extensão a maior parte das poupanças são de
trabalhadores. Os bancos são apenas intermediários no gerenciamento destas
poupanças. A renda nacional é definida assim: RT + L + J + A (renda do
trabalho, mais lucros, mais juros, mais aluguéis). Percentualmente a maior
parte é a RT. E renda nacional é igual a PIB (C + I + G + E – M).
Felizmente a
mídia de economia e finanças (inclusive jornalistas estudiosos, economistas)
aprendeu com os BCs de Armínio Fraga (lançou o sistema de metas de controle da
inflação, o tripé, superávit primário, câmbio flutuante e meta de inflação.
Impediu que o Real fracassasse como tantos outros planos, alguns mirabolantes e
de pensamento mágico), Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto
(destaca-se também o trabalho, não reconhecido por todos, de Gustavo Loyola),
evoluiu no entendimento de política monetária (verdade que a maioria dos
economistas brasileiros tinham entendimento errado em economia monetária,
presos a entendimentos keynesianos, a maioria desvirtuada).
Em teoria
econômica não existe a variável rentista, existem: RIB = RT + L + J + A (renda
interna bruta = renda do trabalho + lucros + juros + aluguéis) = PIB = C + I +
G + E – M (consumo + investimento + gastos do governo + exportações -
importações). Quem são os agentes econômicos (investidores) que aplicam suas
poupanças (investem)? Trabalhadores, empresários, poupadores em geral. E qual é
a renda das aplicações? Juros e Lucros. Resumo de texto de 1994.
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