segunda-feira, 9 de março de 2026

ROBERTO MARINHO, CARLOS LACERDA E A DITADURA MILITAR (legalizada, mas ditadura). 09/03/2019.

 

ROBERTO MARINHO, CARLOS LACERDA E A DITADURA MILITAR (legalizada, mas ditadura). 09/03/2019.

Carlos Lacerda foi um jornalista, advogado e político brasileiro, membro da UDN - União Democrática Nacional, vereador, deputado federal e governador do estado da Guanabara (hoje RJ). Foi fundador e proprietário do jornal TRIBUNA DA IMPRENSA, assim como criador da editora Nova Fronteira. Orador radical (para muitos ofensivo), admirado por colegas pela oratória corajosa. Nasceu em Vassouras, RJ, 1914 e faleceu em 1977.

Em 03/1934 leu o manifesto de lançamento oficial da Aliança Nacional Libertadora (ANL), ligada ao PCB - Partido Comunista do Brasil. Com o tempo deixou de ser comunista e virou um adepto do liberalismo como entendido na época (era contra a ditadura de Getúlio Vargas).

Rompeu com o comunismo em 1939, por entender, corretamente, que tal doutrina "levaria a uma ditadura, pior do que a de GV. A partir de então, como político e escritor, consagrou-se como um dos maiores porta-vozes das ideologias liberais de direita e grande adversário dos movimentos políticos trabalhista e comunista.

O TIRO NO PÉ E A MORTE DO MAJOR RUBENS VAZ: Lacerda foi vítima de atentado em 5 de agosto de 1954 (conhecido como atentado da Rua Tonelero) onde morreu o major.

A prisão dos autores do crime, que confessaram o envolvimento do chefe da guarda pessoal de Vargas, Gregório Fortunato e do irmão do presidente, Benjamim Vargas, teve como desfecho o suicídio de GV (dizem que o atentado havia sido incentivado pelo filho de GV). Com o suicídio de GV o jornal de Lacerda foi apedrejado e destruído (apesar de toda a mídia ter divulgado o fato). O suicídio reverteu a opinião pública e provocou uma onda de revolta obrigando Lacerda e parte de seu grupo a deixar o país. Na época, milhares de revoltosos tomaram as ruas, atacando jornais ligados à oposição (contra GV).

 LACERDA E A ELEIÇÃO DE JK (50 anos em 5): participou da tentativa de golpe de estado em 1955, quando se uniu aos militares e à direita udenista para tentar impedir a eleição e a posse do presidente eleito (JK) e seu vice João Goulart (Jango). Após a eleição de Juscelino, o mineiro Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tentaram uma nova intervenção. A bordo do Cruzador Tamandaré, fizeram a resistência, no entanto o navio fora alvejado a tiros pela artilharia do exército a mando do General H. Teixeira Lott, que tinha pretensões de se candidatar à presidência (foi derrotado por Jânio Quadros). Foi o último tiro de guerra disparado na Baía da Guanabara – RJ. O fato ficou conhecido como o golpe de Lott, um golpe para defender a legalidade. Vencido após a sua tentativa de golpe, Lacerda partiu para um exílio breve em Cuba, que ainda estava sob o regime do caudilho Fulgencio Batista, antes de Fidel chegar ao poder através da Revolução Cubana. Voltou e reassumiu a cadeira de deputado federal, continuando na oposição a JK, atacando com veemência admirável o governo e a construção de Brasília.

Apoiou a candidatura de Jânio Quadros, mas em 24/08/1961 fez um discurso violento em cadeia nacional de rádio e televisão, atacando o presidente, antigo aliado, que renunciou no dia seguinte, em 25 de agosto (Jânio havia perdido todo o apoio no legislativo e seu governo ficaria inviável).

 LACERDA E A REVOLUÇÃO (golpe militar) DE 1964: foi um dos principais articuladores civis do golpe militar de 1964, porém voltou-se contra ele em 1966, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco. Segundo Lacerda, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria o recém-instalado governo "revolucionário" consolidar-se num regime militar permanente (acertou). Confiava no sucesso do governo que tinha realizado no estado da Guanabara para enfrentar o candidato de oposição Juscelino Kubitschek (JK 65). Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal, 22/07/64.

FRENTE AMPLA: em novembro de 1966 lançou a Frente Ampla com JK e João Goulart, movimento de resistência ao regime militar de 1964. Foi cassado em 12 /1968, levado preso para um Regimento de Cavalaria da Polícia Militar, onde ficou na mesma cela que o seu antigo companheiro de PCB Mário Lago, com quem não falava há décadas.

LACERDA E ROBERTO MARINHO: RM não gostou de CL lançar-se candidato a presidente da República, não apoiando a pretensão. O motivo era o medo do retorno da esquerda ao poder, mas alguns desconfiam que também receava CL na presidência perseguir suas mídias a favor de seu jornal.

Morreu na Clínica São Vicente, na Gávea, vítima de um infarto com 63 anos (idade que também morreu JK. João Goulart morreu com 57 anos). O fato de os três líderes da Frente Ampla terem morrido em datas muito próximas levantou uma teoria de que essas mortes pudessem estar relacionadas, o que nunca foi comprovado. 

 

 

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