A REFORMA MONETÁRIA FEITA PELOS ALIADOS (EUA, RU e FRANÇA) NA ALEMANHA. 2018.
20/06/1948: EUA, RU e França uniram suas zonas de ocupação e decidiram implantar uma reforma monetária e criar um estado provisório sob seu controle. Um mês depois, cada cidadão alemão pôde trocar 40 Reichsmark (a moeda antiga de 1924) por 40 unidades da nova moeda introduzida pelos aliados: o marco alemão (Deutsche Mark, ou DM). Para empresários e autônomos, a relação de troca era mais favorável.
Em 18/06/1948, sexta feira, RU, EUA e França anunciaram a lei da reforma
do sistema financeiro alemão que entraria em vigor em 20/06/1948.
O novo dinheiro foi distribuído nos guichês (10 bilhões, 701 milhões e
720 mil marcos alemães - Deutsche Mark), onde as pessoas apanhavam as senhas
para adquirir alimentos. Cada cidadão alemão recebeu 40 marcos, e 20 marcos um
mês depois. Todos igualmente, ricos ou pobres. O plano foi um sucesso. As
mercadorias apareceram e os preços foram sendo estabelecidos pelo mercado. As
exportações subiram, pois a moeda era desvalorizada em relação a outras. Muitas
indústrias não haviam sido destruídas e foram reativadas. O PIB subiu
rapidamente.
O Milagre econômico.
O milagre econômico gerado pela
reforma monetária se deveu às potências aliadas de ocupação, mas também a
Ludwig Erhard, diretor de economia. Declarou a invalidez da senha de
racionamento simultaneamente à reforma monetária. Enquanto a escassez na Europa
era administrada com economia planificada, Erhard apostava nas forças do livre
mercado. Em meio à escassez, os preços deveriam estimular a produção para
garantir o abastecimento de mercadorias. Os críticos prognosticaram o fracasso
da política de Erhard, que mais tarde foi ministro da Economia e tornou-se o
segundo chanceler federal alemão do pós-guerra. Sua estratégia funcionou. A
economia alemã cresceu de 10% a 12% por trimestre, com taxas moderadas de
inflação e produção crescente. Isso dava margem para aumento
de salários e novo poder aquisitivo. No final dos anos 60, já havia emprego
pleno na Alemanha. Entre as explicações para o milagre da abundância: as
empresas produziram muito para o "dia D", mas retiveram suas mercadorias,
a fim de não receber a velha moeda sem valor algum e sim a nova.
Todos os estrangeiros (inclusive os alemães orientais que apostavam na
moeda antiga) perderam tudo (inclusive brasileiros, imigrantes que confiavam na
recuperação alemã e de sua moeda, que passou a valer zero.). Foi mais ou menos
um cano (o prazo para trocar a moeda antiga para a nova foi curto e os
estrangeiros perderam).
Na administração pessoal, empresarial ou publica sempre existirá a difícil escolha entre os gastos possíveis e os necessários (os gastadores irresponsáveis e os responsáveis). Na vida pessoal e empresarial quando os gastos necessários extrapolam os possíveis, a primeira solução é a busca de financiamentos e empréstimos. Quando o crédito acaba por falta de pagamentos os gastos têm que ser reduzidos por falta de recursos (é o ajuste obrigatório ou falência). Os gastos necessários são ajustados aos possíveis por falta de recursos e de crédito. Na vida pública existem os governos gastadores (a maioria populista irresponsável ou incompetente para administrar limites) que têm como freio o poder legislativo (através do orçamento e leis). Quando o poder legislativo entra na festa da gastança irresponsável, os efeitos são desequilíbrios com a demanda global superior à oferta. De início recorre-se a importações (têm por limite o crédito externo). Um efeito imediato é a inflação que exige taxa básica de juros mais altas para combater o processo inflacionário que se inicia. O custo de carregamento da dívida pública aumenta com o custo das captações de financiamentos pelo governo (taxa básica abaixo da adequada faz juros de mercado de longo prazo subirem. As adequadas evitam aumentos nos juros de longo prazo). Outro efeito ocorre nas contas externas: como a demanda interna sobe acima da oferta, as importações sobem e ocorrem os déficits, que têm por limite o crédito externo. Se a gastança irresponsável não é corrigida (próprio dos governos populistas de esquerda) ocorre a crise cambial, falta de recursos e reservas para fazer face a pagamentos externos. A solução é fazer voluntariamente os ajustes nos gastos públicos, decretar moratória ou negociar os pagamentos da dívida externa. De toda maneira os gastos serão reduzidos. O Brasil já decretou moratória e arrependeu-se (felizmente). A rica Argentina decretou ou deixou de pagar suas dívidas várias vezes. O resultado foi o empobrecimento de seu povo e perda de crédito externo. Faltam recursos para importar até itens ultra necessários, como medicamentos. Nesta hora o povo cansado das demagogias da esquerda elege um governo de direita que se compromete a fazer os ajustes necessários nas contas públicas. Outro efeito recorrente é a relação aumento irresponsável dos gastos públicos com a corrupção.
Um dos problemas mais difíceis do pensamento liberal é como lidar com monopólios (oligopólios), que inibam a liberdade efetiva. A existência de um mercado livre não elimina a necessidade do governo. O governo é essencial para determinação das regras do jogo e é um árbitro para julgar as controvérsias. Para o liberal o fim não justifica os meios, mas sim a utilização de meios adequados (a discussão livre).
O governo como legislador e árbitro: o estabelecimento antecipado das
regras do jogo; o estabelecimento de um árbitro aceito pelas partes; a garantia
do cumprimento das regras; o governo evitar a coerção do mais forte sobre o
mais fraco; a garantia do direito de propriedade; o fornecimento de uma
estrutura monetária.
O monopólio (oligopólio) técnico (natural), seus efeitos laterais e o
governo:
a) privado;
b) público; e
c) regulação pública.
As três opções são inconvenientes e o governo deve optar para o mal
menor conforme as condições. Os efeitos do monopólio privado não regulado podem
ser intoleráveis (a regulação governamental passa a ser um mal menor).
Resumindo: o governo deve manter a lei e a ordem; garantir o direito de
propriedade; julgar as disputas sobre entendimentos divergentes das regras do
jogo; fornecer uma estrutura monetária; procurar evitar os efeitos laterais do
monopólio técnico; suplementar a caridade privada.
Liberalismo não é anarquia.
O liberal teme a concentração de poder. Condena o governo operar
qualquer atividade que possa ser executada pela iniciativa privada.
Este texto foi baseado em Milton Friedman. MAG 01/2014.
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CÂMBIO ADMINISTRADO OU FLUTUANTE? 2009.
O câmbio de equilíbrio é aquele que for bom para a maioria. Nunca será bom para todos. Se for ruim para os consumidores não é bom para a economia. Não existe liberalismo sem livre concorrência (com regras do jogo que a protejam), assim como não existem consistentes ganhos de produtividade, competitividade e avanços tecnológicos, com reservas de mercados ou privilégios, qualquer que seja ele (inclusive proteção cambial, mesmo que escondido atrás de artificialismos).
CÂMBIO FLUTUANTE COMO SOLUÇÃO DO MERCADO LIVRE (Milton Friedman).
“A instabilidade das taxas de câmbio é um sintoma da instabilidade da
estrutura econômica subjacente. A eliminação de tais sintomas pelo congelamento
administrativo das taxas cambiais não corrige nenhuma das dificuldades
subjacentes e só torna o ajustamento a elas ainda mais penoso.”
O CÂMBIO ADMINISTRADO é o resultado da vontade de um burocrata de
governo. Pode ser fixado acima ou abaixo do de equilíbrio (o resultante das
forças de mercado, o flutuante), será sempre um valor artificial, prejudicando
uns e favorecendo outros. É vulnerável à corrupção.
Taxa de Câmbio Real x Taxa Nominal: a taxa de câmbio, independente do
regime adotado, sempre tenderá para a real, pois esta independe do regime
cambial adotado. A taxa de câmbio administrada sempre tenderá para a real
(flutuante).
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