sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PARA ONDE VAI O DÓLAR?


PARA ONDE VAI O DÓLAR?

CHARLES HUGH SMITH fez a previsão de que “o dólar vai subir” e argumenta os motivos “expansão global e contração de dólares para o comércio e em reservas.” Argumenta ainda, “tudo se resume em oferta e demanda: a demanda por dólares para reservas continuará alta, e a oferta dos mesmos irá diminuir.”  

No momento os USA estão com déficits no Balanço Comercial, em Transações Correntes e Fiscal. País que emite a moeda de comércio e reserva mundial não consegue ter superávit no Balanço Comercial (para isto teria que aceitar uma desvalorização de sua moeda, o inverso do que prevê C. H. Smith). A desvalorização da moeda traria como consequência a redução do poder de compra e da qualidade de vida de sua população. O déficit em Transações Correntes também é muito difícil de ser eliminado (da mesma maneira que é fácil de ser financiado). Se o PIB mundial crescer a entrada de dividendos cai, pois as suas multis terão que investir em suas filiais para conquistar ou manter mercados. O déficit fiscal poderá ser reduzido e até eliminado.
Para manter seu status os USA terão que emitir títulos ou dólares. Se emitir títulos os juros devem subir e o dólar se valorizará. Se emitir moeda os juros se mantêm baixos e o dólar se desvaloriza. Isto até que o processo inflacionário retorne e obrigue a adoção de responsabilidade (austeridade) fiscal e monetária. É como empurrar com a barriga, as bolhas vão se formando para substituir a moeda que se desvaloriza até que estoure e comece tudo de novo. A responsabilidade (austeridade?) fiscal, monetária e cambial não permitem abusos e privilégios, mas evitam crises (pelo menos ameniza-as).  
ESTAMOS CAMINHANDO PARA: a renda dos países com capacidade de produção industrial terá que ser menos desigual, a dos USA e a do mundo desenvolvido cairá relativamente (através da desvalorização do dólar), a do mundo em desenvolvimento subirá (com a valorização de suas moedas).  
Um dos motivos que me leva a condenar a desvalorização artificial do Real é a queda do poder de compra e da qualidade de vida de todo um povo (e de suas empresas) para beneficiar exportadores que não necessitam de proteção cambial e outros que não merecem. Se fosse politicamente possível seria melhor doar verbas para as empresas sem capacidade de competir (longe de mim defender esta ideia, apenas afirmo que seria menos danoso para a economia) do que desvalorizar artificialmente a moeda. A luta pela sobrevivência é que obriga as empresas a investirem em ganhos de produtividade e em inovações. A proteção e a reserva de mercado acomodam e tornam as empresas atrasadas e paradas no tempo (é o pior que se pode fazer a uma economia). MAG 10/2012

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