UM AMIGO PERGUNTOU: QUAL O MELHOR PRESIDENTE MILITAR?
RESPOSTA. COMO VI O GOLPE DE 1964 (OU REVOLUÇÃO) E SEUS PRESIDENTES. UM
PEQUENO RESUMO. 30/12/2023.
1) O Brasil estava sendo governado por João Goulart, apelidado Jango (vice que assumiu no lugar de Jânio Quadros, um Bolsonaro da época). Como Jânio, era também despreparado para governar. Estava sendo dominado pelo poder sindical (antro de corrupção sustentado pelo imposto sindical obrigatório), um fraco. Permitiu e apoiou a quebra da hierarquia no Exército. O país corria o risco de uma ditadura sindical-militar (tipo Venezuela hoje). A insatisfação da maioria da população era quase um barril de pólvora. A maioria dos políticos preparados sabia dos riscos que o país corria. A sociedade, políticos e forças armadas se insurgiram e iriam derrubar o incompetente presidente por acaso (jamais ganharia uma eleição para presidente). Fugiu do país e o legislativo considerou que abandonou o posto. Os líderes políticos da época, mais representativos, JK e Lacerda apoiaram o golpe. Como não chegariam a um nome político para exercer o final do mandato escolheram um nome militar, Castelo Branco. JK, que tinha o controle do legislativo, entrevistou-o e recebeu o compromisso de que entregaria o poder no final do mandato com eleições gerais. Castelo não cumpriu e cassou JK e Lacerda entre outros políticos. Preservou Brizola (não era um líder nacional forte. Ficou por causa da eliminação de outros);
2) Castelo fez um governo responsável (austero como alguns gostam de
definir) em economia. Seus economistas eram competentes (Roberto Campos e
Bulhões). Fundou o BC independente (Costa e Silva e Delfin Netto acabaram com a
independência para entrar na irresponsabilidade monetária e fiscal). Castelo
pretendia colocar no poder um militar da linha mais intelectualizada (talvez
Geisel), mas perdeu para o que na época foi chamado de linha dura da revolução.
Costa e Silva foi eleito pelo legislativo e implantou com Delfin Neto o que se
denominou nacional-desenvolvimentismo, um keynesianismo sem câmbio flutuante,
com preços controlados – CIP – Conselho Interministerial de Preços (na verdade
o abandono da responsabilidade fiscal e monetária). O Conselho Interministerial
de Preços, CIP, instituído pelo Decreto nº 63.196, de 29 de agosto de 1968 foi
o órgão através do qual o governo fixava a política de preços no mercado
interno, buscando sua harmonização com a política econômico-financeira global.
O inverso de economia de mercado, liberal, direita. Era uma economia
planificada controlado pelo governo, semelhante ao regime socialista, esquerda
(fizeram o golpe para evitar isto). Com o autoritarismo e a herança deixada por
Castelo (de responsabilidade monetária e fiscal) iniciou-se o que se chamaria
de milagre econômico (o auge foi com Médici). Os efeitos vieram com muita
gravidade: inflação, hiperinflação e estagflação. Terminou com a moratória
externa feita por Sarney. O governo Lula herdando o plano real já corrigido em
seus erros por Armínio Fraga (o principal erro foi o câmbio administrado) fez
superávits primários altos (política fiscal), ouvindo Palocci (Ministro da
Fazenda) e Henrique Meirelles (Presidente do BC). O sucesso foi visível.
3) O regime autoritário, ditadura ou revolucionário como gostava de ser
chamado, censurou a mídia com violência absurda. Torturou, assassinou e a
corrupção existia, mas não podia ser publicada. A herança foram 15 anos de
estagflação, líderes fabricados para dividir a oposição e uma situação
(apoiadores do regime). Quem foi fabricado pelo regime: Lula e PT, Ivete Vargas
e PTB, para dividir o poder de Brizola PDT (um líder pequeno que cresceu, pois
o regime cassou os líderes naturais). Formaram e deixaram de herança uma classe
política corrupta, que a geração atual conhece pelos grandes escândalos
(mensalão, petrolão, lava jato).
RESUMO SOBRE OS PRESIDENTES MILITARES:
CASTELO (1964 A 1967): culto, escolheu uma equipe econômica competente,
mas optou pela ditadura contra a democracia (a mídia ignorante em economia foi
crítica severa da competente equipe econômica);
COSTA E SILVA (1967 A 1969): bem-intencionado, mas despreparado para o
cargo de presidente (deve ter sido um competente líder militar). Regrediu a
política econômica de liberal para intervencionista. Acabou com a independência
do BC. Mudou a política econômica de racional e responsável para os
despreparados economistas keynesianos (que desconheciam que Keynes era a favor
de câmbio flutuante). Intervencionistas, controlaram preços e grande parte da
economia (o inverso de liberal e direita). Delfim Netto (em sua fase de
pensamento mágico e ultrapassado keynesiano) foi o Ministro da Fazenda.
MEDICI (1969 A 1974): liderou o país em uma fase externa positiva.
Definiu as prioridades do governo em crescer e desenvolver aproveitando a
conjuntura internacional favorável. Nesse período o Brasil cresceu mais que os
demais países latino-americanos. Atingiu-se altos índices de desenvolvimento e
crescimento. Aconteceu o "milagre econômico" conduzido pelo Ministro
da Fazenda, Delfim Neto. A abertura do país aos investimentos estrangeiros
encorajados pelo sentimento de segurança passado pelo regime militar, cresceu
muito. A política econômica de Castelo Branco, seguida com menos rigor por
Costa e Silva foi a base para este crescimento que se mostraria insustentável.
GEISEL (1974 a 1979): talvez o presidente mais culto de todos, mas ainda
leigo em economia. Não aceitou fazer os ajustes necessários para corrigir os
erros da política econômica de Delfin. Agravou a situação do país quanto a
inflação e vulnerabilidade externa.
FIGUEIREDO (1979 A 1985): um militar nota 10, mas também leigo em
economia. Governou com o agravamento da crise econômica mundial. Vários países
quebraram (o Brasil iniciou). As famosas medidas "ortodoxas" impostas
por Delfim Netto e pelo ministro Mário Henrique Simonsen na economia, vieram
agravar ainda mais a situação monetária do país, fazendo o PIB despencar 2,5%
em 1983. Durante esse período ocorreu no Brasil um fenômeno inédito na história
da economia mundial conhecido como estagflação. Nenhum Ministro do governo
militar, com poder quase total, teve a coragem de liberar preços (inclusive o
câmbio). Eram liberais na teoria e intervencionistas (esquerda) na prática.
SARNEY (1985 A 1990): culto, mas não em economia. Apesar de ter herdado
uma situação econômica crítica do governo Figueiredo, início da hiperinflação,
escolheu Ministro da Fazenda, Funaro, leigo em economia que achava que sabia
(foi um desastre). Bresser um economista heterodoxo, foi a continuidade do
desastre. Mailson da Nóbrega, um competente economista não teve a coragem ou
condições de fazer as mudanças necessárias. Fez um novo congelamento de preços
que foi um desastre.
COLLOR (1990 a1992): economista da linha liberal, mas sem a maturidade
política que aconselha a moderação, própria dos mineiros. Em economia fez um
plano econômico radical (errado) de leigos prepotentes. De útil as medidas
liberais abrindo a economia que era fechada ao ponto de atrasar o
desenvolvimento econômico e técnico do país (principalmente em informática). O
atraso tecnológico imposto ao país foi o patriotismo atrasado dos militares
(ideias de esquerda atrasada) de querer fechar o país para o exterior (tudo
deveria ser fabricado no país). Collor deu o passo inicial da abertura do país
para o exterior.
ITAMAR (1993 a 1994): vice de Collor, assumiu com o impeachment do
mesmo. Um engenheiro despreparado em economia, parou no tempo, não fazia
declaração de IR há vários anos. Teimoso em sua ignorância, mas com a sabedoria
política dos mineiros. Fez um Ministério político. Acertou (sem querer) ao
escolher o sociólogo (e professor da USP) FHC para Ministro da Fazenda.
Surpreendendo a todos escolheu uma boa equipe econômica para a época. Muito
culto tinha a sabedoria de ouvir e entender. Com sua equipe econômica (e apoio
de Itamar) fez o plano Real que controlou a inflação no país. O principal erro
do plano foi manterem o câmbio administrado (por medo de descontrole). Armínio
Fraga corrigiu o plano real com o tripé, meta de inflação (que obrigava a
manterem a taxa básica adequada), câmbio flutuante (essencial para toda
economia. Evita crise cambial) e superávit fiscal (saldo primário, receita
menos despesa sem juros) para evitar crescimento descontrolado da dívida.
FHC (1995 a 2002): um intelectual e político de esquerda que entendeu
que o modelo econômico e político de esquerda fracassou (com a dissolução da
URSS). O econômico fracassou por querer que uma elite burocrática (planejamento
centralizado) substituísse os inúmeros agentes econômicos da economia de
mercado (com a concorrência promove as melhorias contínuas e inovações). Foi
criticado pela esquerda atrasada (políticos e mídia) taxando-o de neoliberal
(que ele odiava). Fez um governo liberal passando (através de sua equipe
econômica) as diretrizes para o sucesso (que Lula seguiu). 30/12/2023.
JK E O GOLPE MILITAR DE 1964. 25/12/2021
ResponderExcluirGolpe militar de 31/03/1964. Cassam JK (PSD) em 08/06/1964. AI 5 de 13/12/68 cassa Carlos Lacerda (UDN).
Sabedores do poder pessoal de JK, falavam sobre ele: não deixem o Juscelino falar, pois entusiasma políticos e o povo com sua personalidade cativante e seus discursos em favor do desenvolvimento do país. JK foi cassado pela força política que tinha e pela ameaça aos novos donos do poder (os líderes militares que fizeram o golpe). Com esta cassação inicia-se o golpe dentro do golpe (não iriam devolver o poder à democracia).
Para as eleições presidenciais previstas para 1965, JK era o mais forte candidato, o que atrapalhava o objetivo dos militares que tomaram o poder de eleger um candidato de acordo com as diretrizes do golpe militar.
No Golpe de 64, Juscelino tinha feito um acordo político com os militares. Se comprometeu em apoiar o general Castello Branco até este terminar o mandato do presidente deposto João Goulart.
JK morreu em 22/08/1976 em um acidente de automóvel (com um ônibus da Cometa) perto de Rezende (Via Dutra).
Carlos Lacerda morre por efeito de um infarto em 21/05/1977 na cidade do RJ.
DE JK AO FIM DO REGIME MILITAR. 24/12/2016.
ResponderExcluirEm 1955 JK (governador de MG) é eleito presidente (vencendo em 15 estados) pelo PSD (coligado com o PTB), derrotando o candidato da UDN Juarez Távora (venceu em 5 estados do NE) e Ademar de Barros (governador de SP) do PSP (venceu em 4 estados, SP, PR e AM).
Em 3 anos constrói Brasília (tempo de construção de 1 prédio), nova capital do país, no sertão goiano.
Tinha 9 anos (morava em Bicas, MG, Zona da Mata) e lembro-me pouco da eleição, mas MG apoiou JK. Foi um governo que adotou a política keynesiana. Como a carga tributária era baixa e o governo do general Eurico Gaspar Dutra havia sido austero, as consequências da inflação só foram percebidas no fim do governo.
A eleição presidencial de 1960 foi a disputa entre Jânio (um populista que utilizou a UDN) e Lott (ministro da guerra de JK pelo PSD e PTB). Foi a eleição da vassoura (no sentido de reduzir o quadro de pessoal do governo, limpar o governo) e o da espada. Tinha musiquinhas que tocavam no Brasil inteiro (o homem da vassoura vem aí, e o da espada). Jânio venceu com uma frente muito grande em quase todo o país. Tinha 14 anos e lembro-me das musiquinhas e da campanha que foi com muita participação popular (os eleitores do PTB não votaram em Lott).
Jânio um populista demagogo despreparado para governar em uma democracia (poderes divididos), planejou um golpe confiando em sua popularidade (a UDN já se dividia em apoiá-lo), fingindo uma renúncia. Esqueceu que a oposição era maioria no Congresso e composta por políticos profissionais experientes. Jânio pensou, erradamente, que o povo sairia às ruas pedindo seu retorno que se daria com o apoio das forças armadas. Tal não aconteceu, o povo ficou quieto, decepcionado com a administração histriônica e pouco eficaz. Após um governo gastador tem que vir um austero. O vice Jango Goulart (PTB) estava na China e as forças armadas tentaram impedir sua posse. Foi feito um arranjo de governo parlamentarista para que ele fosse aceito (o mineiro Tancredo Neves foi o primeiro ministro). Em um plebiscito o parlamentarismo foi derrotado. Jango não conseguiu manter a ordem no país. Em discurso incentiva a quebra da hierarquia no exército (incentivando sargentos e cabos contra os oficiais superiores). Foi o fim de seu governo e início do golpe militar (que na época foi chamado de revolução). O PSD (tinha maioria do parlamento) e UDN com partidos coligados elege presidente (em eleição indireta) o General Castelo Branco com o compromisso de que ele convocaria eleições terminado o mandato. JK entrevistou Castelo e confiou em suas promessas, avalizando sua eleição. Castelo eleito cassa JK, Carlos Lacerda o líder da UDN e muitos outros políticos. A ditadura/revolução dura 21 anos (até 1985). JK e Lacerda morrem antes da democratização do país. O PSD e a UDN acabam.
Tinha 17 para 18 anos. Na rua, em Bicas (terra do general Itiberê G. do Amaral) vendo o movimento do exército (Bicas tinha uma grande oficina de manutenção de locomotivas e trens) desnecessário, pois o povo aceitou o golpe, o Bilucho (Coletor Estadual), pergunta-me: quantos anos você acha que isto vai durar? Respondi: até terminar o mandato presidencial. Ele respondeu com sua experiência de vida: vai durar de 15 a 20 anos. Errou por 1 ano.