terça-feira, 22 de setembro de 2026

AINDA SOBRE POLÍTICA MONETÁRIA. 22/09/2021. More on monetary policy. September 22, 2021.

 AINDA SOBRE POLÍTICA MONETÁRIA. 22/09/2021. More on monetary policy. September 22, 2021.

EM 22/09/2021: apesar dos conhecimentos já consolidados e pacificados de política monetária, no Brasil ainda existem economistas (de esquerda) que se denominam keynesianos ou desenvolvimentistas e comentaristas de economia, que ainda não entendem (ou recusam-se a entender) a relação causa e efeitos entre a taxa básica de juros (no Brasil Selic) e: o processo inflacionário, o câmbio, os juros nominais de mercado de longo prazo (curva de juros) e o crescimento sustentável. Na mídia especializada ainda existe desfile de análises e comentários que agridem o saber consolidado em política monetária. Uma explicação rápida: existe diferença na análise entre política monetária de país que emite moeda meio de pagamento e reserva de valor mundial e as que não emitem. Os efeitos podem ser contrários. Nas crises todos fogem das economias mais frágeis, com política econômica sem sustentação (a moeda pátria se desvaloriza, os juros de mercado sobem, uma crise cambial pode se instalar). Para o país que emite a moeda reserva mundial, os efeitos são o contrário: os juros de mercado caem pois todos fogem para a segurança de seus títulos. Hoje é assunto pacificado.

O que se discute hoje é: a taxa básica está fixada adequadamente, acima ou abaixo da adequada (quanto acima ou abaixo).  Autoridades econômicas e governamentais acreditadas ou desacreditadas influenciam na fixação da taxa básica: acreditadas exigem taxa básica adequada mais baixa do que as desacreditadas.

EM 18/06/2025: As falas de Lula podem ter influenciado na fixação da Selic em 15% (se não tivesse falado bobagens 12% seriam aceitáveis). Felizmente silenciou suas falas leigas e arrogantes que sabotavam seu próprio governo.   

PUBLICADO EM 22/09/2021.

A SELIC AINDA ESTÁ ABAIXO DA ADEQUADA, TERÁ QUE SUBIR MAIS, TALVEZ ATÉ 9%. 22/09/2021.

UM AMIGO COMENTOU:  o que eu não entendo é se usar uma ferramenta que freia o consumo, principalmente inibe a compra a crédito, quando na verdade não é a demanda que explodiu, mas custos. E por várias razões: quebra da cadeia de suprimento e alta do dólar. Isso é remédio para baixar febre ou curar a infecção? Deixa-me tentar entender: alta de juros é para trazer dólares para o Brasil, mas é para especular ou gerar valor? Eu estou perdido nas justificativas que escutei ...

RESPOSTA (na época muitos economistas brasileiros de esquerda e comentaristas de jornais e TVs também de esquerda, criticavam a utilização da Selic, taxa básica de juros, como a ferramenta adequada para combater a inflação e provável futura crise cambial): economia é assunto árido até para economistas com inadequada formação, ou que pararam de estudar. Você afirma sobre um assunto que as mídias e as Federações criticam, mas não entendem (o princípio da manutenção do não saber, da dificuldade de conseguir alcançar o saber, é ter certeza e não dúvidas sobre assunto que não estudou). A teoria econômica estuda a relação de causa e efeito entre várias variáveis, a maioria influenciando umas às outras. O tempo entre causa e efeito também não é igual em todas as conjunturas. Mas existem saberes já conhecidos (consolidados) e aceitos por todos os economistas atualizados. A relação entre a taxa básica e as expectativas de inflação e as taxas de juros nominais de mercado de longo prazo (taxa básica abaixo da adequada faz as taxas de LP subirem). Impossível entender política monetária sem saber teoria monetária. Impossível entender política econômica não entendendo ou não aceitando o conceito de equilíbrio dinâmico (o equilíbrio em movimento). Impossível entender política econômica afirmando dados sobre a conjuntura diferentes da realidade (a conjuntura se entende estudando dados e não por achômetro). Impossível entender política monetária sem entender conceitos básicos de mercado financeiro, a diferença entre taxa básica de juros e taxas nominais de mercado (a taxa básica e as taxas de mercado de médio e de longo prazo). Impossível entender política monetária sem conhecer curva de juros (saber ler e entender). A relação de causa e efeito entre taxa básica e conjuntura prospectiva. Estamos com inflação ascendente há mais de 1 ano nos preços no atacado (IGPM e IPAM perto de 40%, inflação já contratada para os índices de preços aos consumidores), commodities e desvalorização cambial (tudo indicando o retorno de grave processo inflacionário e possível crise cambial, quebrar o país mais uma vez). Não existe inflação que se sustente sem demanda (estamos em processo inflacionário ascendente) e sem expansão monetária (a taxa básica é a ferramenta mais poderosa para equilibrar a demanda efetiva e a monetária. Todos os BCs do mundo utilizam). O saber em economia só se alcança com leitura de boa qualidade e sem teimosia (o saber em economia monetária é aceito no mundo todo). Este é o caminho: boa literatura. Não seguir literatura leiga nem economistas com interesses políticos.

CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO DO AMIGO: pois então aumentar a Selic é o remédio correto. Estou entendendo corretamente?

RESPOSTA: a Selic (taxa básica de juro no Brasil) é a ferramenta mais poderosa para reverter um processo inflacionário. Os efeitos dela são mais fortes para reverter um processo inflacionário do que, sozinha, provocar crescimento sustentado. Se fixada abaixo da adequada pode provocar crescimento no primeiro momento, mas não sustentável, no segundo momento o processo inflacionário inicia (sempre pelos preços aos produtores, os chamados IGPs e IPAs). A economia se desequilibra (o equilíbrio dinâmico). Outro efeito negativo é a perda de confiança na sustentação da taxa e a desvalorização da moeda pátria (isto significa perda do poder de compra de todos, ricos, pobres e empresas). É o câmbio flutuante que garante as contas externas e um novo equilíbrio com perda de poder de compra de todos. Veja que é o inverso do que os leigos e economistas malformados pensam. O aumento da taxa básica busca um novo equilíbrio com sustentação: as expectativas inflacionárias caem (o processo inflacionário se reverte de ascendente para descendente), as taxas de juros de LP caem. A moeda para de desvalorizar e os investimentos retornam (evita-se uma crise cambial). Veja que a taxa básica abaixo da adequada (a de equilíbrio) faz mais mal do que bem. É por isso que dizem que a ignorância pode ser (se o leigo com poder acha que entende) um dos maiores males para a economia.

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