domingo, 4 de setembro de 2011

KEYNES - JUROS, CONSUMO, INVESTIMENTOS E EMPREGO.

21) KEYNES -  JUROS, CONSUMO, INVESTIMENTOS E EMPREGO.

Retirado do livro "Teoria Geral do Emprego do Juro e do Dinheiro", Fundo de Cultura, 1ª edição brasileira, 1964, traduzido do original, MacMillan, Londres, 1957 (prefácio datado de 12/1935) e Nova Cultural, 1985.

Obs: o texto de Keynes está entre aspas.

Relação Juro, Eficiência Marginal do Capital e Pleno Emprego.

“A política mais vantajosa consiste em fazer baixar a taxa de juro até o nível em que, em relação à curva da eficiência marginal do capital se realize o pleno emprego.”
"uma elevação da taxa de juro terá por efeito baixar a renda a um nível em que a diminuição da poupança iguala a do investimento." "é indubitável que o consumo diminui quando a taxa de juros aumenta;" 

De fato o aumento da taxa básica de juro acima da neutra reduz as atividades (renda e demanda) e a inflação. Mas Keynes em seu livro nunca se preocupou com a inflação, só com o crescimento.

MULTIPLICADOR DE KAHN: Keynes era um economista clássico (assistente e companheiro de Marshall). Seu livro Teoria Geral é também uma crítica aos economistas clássicos e neoclássicos (conforme sua definição e entendimento). Ao analisar o multiplicador de Khan, apesar de saber que: 
"quando o pleno-emprego é alcançado, se se procura aumentar ainda mais o investimento os preços tendem a subir sem limite, seja qual for a propensão marginal a consumir, isto é, chega-se a um estado de verdadeira inflação. Até aí, no entanto, a alta dos preços irá acompanhada de um aumento da renda global." 
Mesmo sabendo dos riscos da inflação nunca conseguiu prever a sequência do processo, a ESTAGFLAÇÃO ( bolhas em preços de ativos = inflação de ativos maior do que a geral, e crise).  

Ao contrário de Adam Smith, que condenava os gastos IMPRODUTIVOS, como o caminho para a redução do crescimento, acreditava que a riqueza do Egito tinha como um dos motivos a construção das pirâmides (gastos improdutivos).

Pleno Emprego x Taxa de Juro.

É lícito crer que a manutenção mais ou menos contínua de uma situação de pleno emprego exigirá a baixa acentuada da taxa de juro, salvo se se verificar uma forte modificação na propensão global a consumir (incluindo o estado).”
“Tão logo se alcance o pleno emprego, a unidade de salários e os preços é que subirão na medida exatamente proporcional ao aumento da demanda efetiva.”

Receita de inflação e bolha (preços dos ativos subirem em velocidade maior do que os preços do consumo; fuga da moeda mais juros, como reserva de valor, para outros ativos.).
“O remédio para o auge não é portanto a alta, mas a baixa da taxa de juros; porque aquela pode fazer perdurar o chamado auge. O verdadeiro remédio para o ciclo econômico não consiste em evitar os auges e em manter assim uma semi depressão permanente, mas em evitar as depressões e manter deste modo um quase auge constante.” 

RIQUEZA DAS NAÇÕES, ADAM SMITH (1776).

Trecho do capítulo III:

"As grandes nações nunca empobrecem devido ao esbanjamento ou à imprudência de particulares, embora empobreçam às vezes em consequência do esbanjamento e da imprudência cometidos pela administração pública. Toda ou quase toda renda pública é empregada, na maioria dos países, em manter cidadãos improdutivos. Tais pessoas constituem uma corte numerosa e esplêndida, um grande estabelecimento eclesiástico, grandes esquadras e exércitos, que em tempos de paz nada produzem, e em tempos de guerra nada adquirem que possa compensar os gastos de sua manutenção, mesmo enquanto perdura a guerra. Essas pessoas que nada produzem, são mantidas pela produção do trabalho de terceiros. Quando, portanto, esse contingente è multiplicado além do necessário, em determinado ano ele pode consumir uma parcela tão grande da produção anual, a ponto de não deixar o suficiente para manter os trabalhadores produtivos, que reproduziriam, no ano vindouro, o que foi gasto neste. Em consequência, a produção do ano seguinte será menor do que a do precedente e se a mesma situação confusa continuar, a produção do terceiro ano será ainda inferior à do segundo. Os cidadãos improdutivos, que deveriam ser mantidos apenas por uma parcela da renda economizada pelo povo, podem chegar a consumir parte tão relevante da renda total, e com isso obrigar tão grande número de pessoas a interferir em seu capital, nos fundos destinados à manutenção de mão de obra produtiva, que toda a frugalidade e a boa administração dos indivíduos podem ser incapazes de compensar o desperdício e aviltamento da produção, gerados por essa intromissão violenta e forçada. "   

Um comentário:

  1. É aceito que a história da macroeconomia moderna começa em 1936 com a publicação do livro, “Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda”, de J. M. Keynes.
    O modelo keynesiano de desenvolvimento, uma linda construção teórica, na prática leva à estagflação. Indiscutível que o futuro da humanidade está na sua capacidade de desenvolvimento tecnológico e nos ganhos de produtividade, produzir mais com menos fatores (mais tempo disponível para o lazer, inclusive o criativo). Na prática vimos que o PLENO EMPREGO (nas democracias-liberais) defendido por Keynes provoca a corrida salários x preços (as greves). Isto leva sempre a mais inflação (e no fim à estagflação, pois os investimentos param, por causa da insegurança).

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